A diferença entre ter um funil e ter um processo de vendas de verdade
- Mariana Albuquerque
- 20 de ago.
- 4 min de leitura
Você provavelmente já ouviu a frase: “Nosso time comercial já tem um funil bem definido.” Mas será que isso significa que a empresa tem, de fato, um processo de vendas estruturado?
Muita gente confunde o desenho do funil com o funcionamento do processo. Um mostra a teoria. O outro exige execução. O funil é como o esboço de uma estrada com suas curvas e destinos. Já o processo é o que determina se o motorista vai mesmo chegar ao final: onde parar, quando acelerar, como ultrapassar obstáculos.
E é justamente nessa diferença que muita venda se perde. Sem um processo claro, o funil vira só uma ilustração bonita — sem impacto real nos resultados.
O funil é só o mapa, o processo é a jornada real
Ter um funil de vendas é importante, mas ele sozinho não garante resultado. O funil serve como uma representação visual das etapas pelas quais um lead deve passar até se tornar cliente. Ele mostra onde está o topo, o meio e o fundo, mas não explica como cada fase deve ser trabalhada na prática.
Um processo de vendas vai muito além dessa visão. Ele detalha o que deve ser feito em cada etapa, quem é o responsável, quais ferramentas serão usadas e como medir a eficiência de cada ação. É o “como” que transforma um lead em cliente, garantindo que nenhum contato se perca no caminho.
Por exemplo, enquanto um funil pode indicar que um lead precisa passar pela fase de diagnóstico, um processo bem estruturado explica quais perguntas devem ser feitas, qual abordagem é mais eficaz e quais indicadores ajudam a saber se o lead está pronto para avançar. Sem essas definições, o funil vira apenas um gráfico bonito na parede, sem impacto real nas vendas.
Onde os negócios erram: funis genéricos, processos improvisados
Um erro comum nas empresas é acreditar que ter um funil desenhado já resolve os problemas do comercial. Na prática, o que acontece é que muitos adotam modelos genéricos, copiados da internet ou de concorrentes, e tentam encaixar seus leads em um processo que não foi pensado para a realidade da empresa.
Além disso, quando o processo comercial não está claro, cada vendedor acaba criando sua própria forma de atender, seguir e negociar. Isso gera uma montanha-russa de resultados, dificulta o diagnóstico de gargalos e faz com que a previsibilidade de vendas desapareça.
O improviso também enfraquece o onboarding de novos vendedores, porque não há padrão para ensinar. E mais: quando um vendedor sai da equipe, ele leva consigo um pedaço do processo que só existia na cabeça dele. Ter um processo de vendas estruturado e documentado evita tudo isso e cria uma base sólida para crescer com consistência.
Como transformar seu funil em processo: da teoria à prática
A transição de um funil teórico para um processo de vendas real começa com o entendimento da jornada do seu cliente — desde o primeiro contato até o fechamento (e além). Cada etapa dessa jornada precisa ter objetivos, critérios de passagem e responsabilidades claras.
Por exemplo: após o lead preencher um formulário, quem entra em contato? Em quanto tempo? O que deve ser dito nesse primeiro contato? Quais objeções podem surgir? Em que momento o lead avança para a proposta?
Criar um processo eficiente é mapear esses pontos com lógica, definir padrões de atendimento, organizar tudo dentro do CRM e treinar a equipe para seguir o fluxo. O ideal é que qualquer pessoa nova no time consiga entender o caminho completo com clareza.
A prática exige disciplina e ajustes contínuos. O processo não deve ser engessado, mas precisa de constância. Leads bem tratados seguem com mais confiança. Vendedores com rotina clara ganham tempo e resultado. E o gestor, finalmente, pode tomar decisões baseadas em dados reais — não em achismos.
Vendas previsíveis e escaláveis não nascem de achismo
Enquanto muitas empresas ainda operam no modo “tentativa e erro”, os negócios que crescem de forma sustentável têm algo em comum: processos bem definidos, mensuráveis e replicáveis. Isso significa que as vendas deixam de ser um acidente feliz e passam a ser uma consequência direta de um sistema inteligente.
Ter um processo estruturado permite identificar gargalos, ajustar pontos de contato, prever resultados com base em dados históricos e treinar novas pessoas com mais velocidade. O improviso até pode funcionar em um ou dois fechamentos, mas não sustenta uma operação inteira.
E o melhor: quando o processo está claro, é possível aplicar automações, acelerar etapas e escalar sem perder o controle. Assim, o comercial para de depender de "estrelas da equipe" e passa a ter uma base sólida que sustenta o crescimento.
Se você quer sair da montanha-russa de resultados, construir um processo de vendas consistente é o único caminho.
Enfim, o que separa tráfego de resultado real
Muita gente acha que gerar leads é o suficiente. Mas o que realmente move o ponteiro de vendas é o que acontece depois do clique. É o processo. É a prontidão. É a forma como seu time transforma intenção em ação.
Boas campanhas trazem oportunidades. Mas são os bastidores bem estruturados que transformam isso em venda. Enquanto uns culpam o tráfego, os que vendem mais estão olhando para o comercial.
Se sua equipe não tem clareza, ritmo e rotina, o gargalo está dentro — e não fora.
Revisar o processo é o primeiro passo para escalar de verdade. Porque tráfego sem conversão é só gasto. Com processo, vira crescimento.



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